CLÍNICA DA ATIVIDADE DOCENTE

Como cuidar da formação continuada e da saúde do professor nas escolas: introdução, teoria, prática e exemplo

Autoconfrontação Simples com o professor “B”: análises e primeiras conclusões

Clínica da Atividade Análise Autoconfrontação Professor B

Ao se observar em atividade, semelhantemente a seu colega, o Professor “B”, fazendo alusão ao “ver” com “se tu for ver”, ressalta o caráter “abstrato” e “falho” do tipo de gesto profissional que está realizando: “tá abstrato porque eu seleciono uma parte… e eu não fico mostrando bem certinho, né?”. Então, considerando outra possibilidade de realização do que acaba de se ver realizando no vídeo, diz: “eu podia ter selecionado cada… cada pequena parte”. E conclui: “esse é um aspecto falho que eu poderia ter… feito de uma forma melhor”.

Continuando com suas reflexões, o professor pensa a respeito de possíveis consequências de seu gesto para os alunos: “às vezes o(s) aluno(s)… ele(s) fica(m) perdido(s)”. É nesse momento, claramente tomando consciência de que é necessário evitar esse tipo de prejuízo causado aos discentes, que o professor começa a ponderar o que poderia ter feito e, com isso, também o que poderia fazer de modo diferente. Assim, conclui que a alternativa é e teria sido levantar-se: “eu poderia ter levantado… né? e ido aqui [à tela] e falar ó neste local aqui está a plaquinha de rede… neste local [está este outro elemento, etc.]”.

O professor explica que o motivo de não se levantar logo de início é “lógico”, pois é desgastante a prática do “levanta, senta, levanta, senta”. Assim, acaba sendo levado a permanecer sentado enquanto digita e dá sua aula. Se fosse se levantar e se sentar a cada instante, do ponto de vista da preservação de sua saúde física, seu gesto profissional acabaria por se tornar insustentável. Entretanto, incluindo seus interlocutores em seu coletivo de trabalho por meio do pronome “a gente”, o professor afirma que essa “é uma coisa que a gente tinha que pensar [juntos]” e sugere que “talvez uma forma de melhorar isso” seria “ter sempre [em mãos] aquele apontador” ou, em minhas palavras, um “leizerzinho”. Nesse caso, com o uso desse recurso técnico, o professor poderia ficar “sentado”, conseguiria “apontar [na tela]” e não precisaria “ficar se deslocando tanto”.

Assim, contrariamente a seu colega, o Professor “B” parece fazer todos os esforços possíveis para permanecer sentado, mesmo que isso possa prejudicar o ensino-aprendizagem de seus alunos. Desse modo, ainda que seja útil para a preservação da saúde física do professor, o gesto profissional de digitar sentado parece insustentável tanto para os discentes, que podem ter seu processo de ensino-aprendizagem prejudicado, quanto para o docente, que acaba tendo de lidar com dispersões e certa indisciplina, o que – no fim das contas, mesmo que a longo prazo – acaba por lhe comprometer a saúde mental.

Identificado o problema, mostrarei em meus próximos posts como se dá sua abordagem em alguns momentos-chave das sessões de Autoconfrontação Cruzada.

Autoconfrontação Simples: o professor “B” observa, descreve e explica um trecho de suas aulas

Clínica da Atividade Autoconfrontação Simples

Em um segundo momento, o outro docente da dupla de professores do Departamento de Informática, que aqui denominarei provisoriamente professor “B”, observa, descreve e explica um trecho de suas aulas, em sua própria sessão de Autoconfrontação Simples, sempre em minha presença e na presença da Pedagoga Doutoranda Dalvane Althaus. A seguir, é possível observar duas imagens representativas desse trecho e parte do comentário do professor:

Trecho de aula I Professor B Clínica da Atividade Imagem 3 o professor digita sentado

Imagem 3: o professor digita sentado

Trecho de aula II Professor B Clínica da Atividade Imagem 4 o professor explica sentado

Imagem 4: o professor explica sentado

PB:        é… olhando assim… se tu for ver… é… tá abstrato porque eu seleciono uma parte… e eu não fico mostrando bem certinho, né?… eu selecionei o todo… mas não fui mostrando… eu podia ter selecionado cada… cada pequena parte… então eu tô falando… mas eu não tô de fato mostrando… o local ali… vamos supor… eu poderia ter selecionado ah… só esse primeiro tópico… ou só a segunda linha… então… esse é um aspecto falho que eu poderia ter… feito de uma forma melhor…

ANSELMO:        ah… você acha?

PB:        sim… selecionado… porque da forma como eu estou falando… tá tudo selecionado… às vezes o aluno… ele fica perdido… poderia ter selecionado cada… palavrinha que eu ia falando… esse momento era um momento em que agora está selecionado… por exemplo eu poderia ter levantado… né? e ido aqui e falar ó neste local aqui está a plaquinha de rede… neste local…

ANSELMO:       ah… indicar…

PB:        indicar de uma forma melhor… né… lógico que a gente acaba não fazendo isso muitas vezes por quê? levanta, senta, levanta, senta… e… acaba… tendo… se for fazer isso a cada… mas é uma coisa que a gente tinha que pensar… talvez uma forma de melhorar isso… é ter sempre aquele apontador… né?

ANSELMO:        o “leizerzinho”?

PB:        é… porque daí você está… sentado e você consegue apontar… não precisa ficar se deslocando tanto…

 Em meus próximos posts apresentarei a continuidade da análise clínica desse processo de observação, descrição e explicação do professor “A” e do professor “B”.

Autoconfrontação Simples com o professor “A”: análises e primeiras conclusões

clinica-da-atividade-docente-autoconfrontacao-simples

Ao se observar em atividade de digitação, como foi possível observar no post anterior, ressaltando antes de tudo que essa é sua “opinião”, o professor indica que podemos “ver” que existe “um problema com [todos] os laboratórios de informática”, isto é, o fato de “a mesa onde fica o computador do professor” ser “baixa”. Com base nas palavras do professor e de nossa perspectiva analítica, esse problema pode ser compreendido da seguinte forma: existe a dificuldade de o professor conciliar duas atividades, as quais são conflituosas em função de a referida mesa do professor ser baixa: 1) a atividade de digitação; e 2) a atividade de dar aula, de fazer uma exposição. A primeira deve servir de meio ou instrumento principal de realização da segunda. Entretanto, de acordo com o professor, nas condições materiais do laboratório de informática em que trabalha, a atividade de digitação, especialmente quando se trata de “uma grande quantidade de código”, exige que ele esteja sentado: “eu tenho que sentar”; enquanto a atividade de dar aula exige que ele esteja em pé: “eu não consigo ver a turma” e “fico… na frente do computador”.

Diante do problema apontado, o docente propõe – rindo – que uma “solução seria comprar bancadas para o professor colocar o notebook… e ficar de pé… digitando”. De nosso ponto de vista, o riso do educador diz respeito a sua descrença em relação à possibilidade de haver investimentos na melhoria de suas condições imediatas de trabalho. Acreditamos que essa descrença – que se manifesta na forma desse riso – faça parte de uma descrença mais ampla na possibilidade de haver investimentos mais substanciais na educação em geral, seja em nível municipal, estadual ou nacional. O professor, aparentando – por meio de suas hesitações e dificuldade de expressão – estar tomando consciência do que acontece em sua prática pedagógica no exato momento em que se observa no vídeo, tenta explicar que, diante da ausência de bancadas, que podem ser aqui entendidas como mesas mais altas, a solução que ele encontra quando precisa digitar “pouco” é a de digitar inclinado: “eu tô digitando pouco então tô meio… não não tô sentado”.

Então há a tentativa de auxiliá-lo com a pergunta: “tá inclinado?”, a que ele responde afirmativamente: “[tô] inclinado”. Entretanto, faz a seguinte ressalva: “mas… quando se tem que digitar uma grande quantidade… não tem escapatória… você tem que sentar ali… e digitar”. Verifica-se que o professor – inclinando-se – compensa com seu próprio corpo a ausência de uma mesa mais alta, que lhe permitiria digitar em pé. Contudo, quando precisa digitar uma grande quantidade de código, sua única alternativa é se sentar, pois – do contrário – teria de permanecer inclinado por um longo período, o que – a curto prazo – lhe produziria desconforto e – a longo prazo – lhe causaria danos à coluna, prejudicando sua saúde física. O professor “A” parece, enfim, fazer todos os esforços possíveis para permanecer em pé e priorizar a garantia da qualidade do ensino-aprendizagem de seus alunos, mesmo que isso possa lhe prejudicar a saúde física. Desse modo, ainda que nesse contexto seja benéfico para o desenvolvimento discente, o gesto profissional de digitar inclinado parece insustentável para o docente.

Em meu próximo post apresentarei a sessão de Autoconfrontação Simples com o professor “B”, na qual será possível observar o modo singular como esse professor enfrenta essa “mesma” situação de trabalho.

Autoconfrontação Simples: o professor “A” observa, descreve e explica um trecho de suas aulas

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Em um primeiro momento da sessão de Autoconfrontação Simples, um dos docentes da dupla de professores do Departamento de Informática, que aqui denominarei provisoriamente professor “A” (PA), observa, descreve e explica um trecho de suas aulas em minha presença e na presença da Pedagoga Doutoranda Dalvane Althaus. A seguir, é possível observar duas imagens representativas desse trecho de aula e parte do comentário do professor sobre elas:

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IMAGEM 1: O PROFESSOR “A” DIGITA INCLINADO

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IMAGEM 2: O PROFESSOR “A” APONTA NA TELA

A:      aqui eu tô digitando… como pode ver… é… na minha opinião tem um problema com os laboratórios de informática… todos… porque a mesa onde fica o computador do professor é baixa… ou seja… para mim… quando eu tenho que falar uma grande… quando eu tenho que digitar uma grande quantidade de código… eu tenho que sentar… então eu fico… assim… eu não consigo ver a turma… fico… na frente do computador… solução para isso… cara… hahn ((risos))… seria comprar bancadas para o professor colocar o notebook… e ficar de pé… digitando… seria uma solução pra aula de informática… pra você não… porque enquanto… aqui ainda eu tô digitando pouco então tô meio… não… não tô sentado…

EU:      tá inclinado?

PA:      inclinado… mas… quando se tem que digitar uma grande quantidade… não tem escapatória… você tem que sentar ali… e digitar

Em meus próximos posts apresentarei uma análise clínica desse processo de observação, descrição e explicação.

Como se deu o trabalho de filmagem de aulas?

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Tendo atuado com os professores na análise e problematização das aulas até então apenas observadas e registradas por escrito, o oitavo passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB foi o de filmagem propriamente dita da atividade de ensino-aprendizagem realizada por meio da interação dos professores com seus alunos. A câmera foi, como é recomendável, posicionada sobre um tripé no canto esquerdo do fundo da sala, de modo que foi possível registrar os alunos de costas (e lateralmente) e gravar os professores de frente, em sua movimentação ao interagir com os alunos. Com esse posicionamento da câmera, como as aulas e as gravações se deram no Laboratório de Informática, foi possível registrar também as telas dos computadores dos alunos, as quais – em relação à localização dos professores, que ficam à frente – se constituem como “pontos cegos” para os docentes.

A montagem do equipamento de filmagem no local teve início aproximadamente 15 minutos antes do início das aulas. Conforme os alunos iam chegando e entrando na sala, inevitavelmente notavam a aparelhagem e demonstravam interesse e curiosidade. Por vezes, conversavam e faziam breves observações bem-humoradas sobre como seria para eles e para os professores a experiência de serem filmados. O fato foi que, como já era de se esperar e como – na perspectiva da Clínica da Atividade Docente – é desejável, os alunos “mudaram” seu comportamento: pareciam mais quietos e demonstravam prestar mais atenção e se concentrar mais nas aulas. Essa “mudança” de comportamento, entretanto, não impediu que se notasse uma vez mais, na aula de um dos professores da dupla, a relativa e ligeira “indisciplina” ou “dispersão” de alguns dos alunos, a qual – como comentei no post anterior – se materializa na forma de algo como certa agitação e/ou movimentação discente.

Esses aspectos, bem documentados pelas filmagens, serão abordados detalhada e profundamente em meus próximos posts, os quais – no nono passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB, serão dedicados justamente à análise e problematização com e pelos professores de trechos de aula em situação de Autoconfrontação Simples e Cruzada.

Como ocorreu a análise e problematização das aulas observadas e registradas por escrito?

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Depois de observar e registrar por escrito as aulas da dupla de professores voluntários do Departamento de Informática, o sétimo passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB foi o de auxílio a esses profissionais na análise e problematização de suas aulas observadas e anotadas. Para maiores detalhes sobre os procedimentos de execução desse trabalho, clique aqui.

Como venho enfatizando em diferentes posts do Blog, muito dificilmente um professor fica indiferente a si mesmo, a seus alunos e a seu trabalho quando é observado nas condições propostas pela perspectiva da Clínica da Atividade Docente. O que de fato ocorreu com a dupla de professores de informática foi que, ao serem observados e verem suas aulas sendo registradas por escrito, eles – como especialistas em suas próprias atividades – se observaram criticamente a si mesmos. Como as aulas em questão ocorreram no Laboratório de Informática da instituição, no qual os trabalhos de ensino-aprendizagem são realizados pelos docentes e discentes por meio do uso sistemático e prolongado do computador, revelaram-se rapidamente as preocupações centrais de ambos os professores: será que os alunos realmente estavam e permaneciam envolvidos com as aulas? Será que de fato acompanhavam e executavam as orientações dos professores sem, por exemplo, se desviarem e se perderem em redes sociais e outros sites do gênero?

Com efeito, nossas observações e anotações revelaram, no caso das aulas de um dos professores da dupla, uma relativa e ligeira “indisciplina” ou “dispersão” dos alunos, a qual se materializava na forma de algo como certa agitação e/ou movimentação discente. No caso das aulas do outro professor da dupla, o que chamou muito a atenção foi o contrário: o fato de esses mesmos alunos parecerem completamente absorvidos e envolvidos com a aula e com as atividades que vinham sendo desenvolvidas.

Essas constatações, feitas pelos próprios professores ao se observarem a si mesmos a partir de nossa presença em sala de aula, serviram para orientar o olhar para essa problemática no oitavo passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB: o de filmagem propriamente dita das aulas dos docentes. É sobre isso que falarei em meu próximo post. Como ficará claro na sequência dos demais posts, o que se constatou nada tem a ver com “domínio” ou “falta de domínio” de sala pelos professores…

Como se deu o trabalho pedagógico de observação e registro escrito de aulas?

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Após o estabelecimento de uma parceria de trabalho com os alunos para tratamento clínico da atividade docente na UTFPR-PB, o sexto passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na instituição foi o de observação e registro escrito de aulas da dupla de professores voluntários.

Para essa finalidade, foi criado um formulário simples, com campos específicos no cabeçalho para preenchimento de informações básicas como nome do professor, curso, disciplina, departamento, turma, data, horário, local ou sala. Além disso, o formulário possui – logo abaixo do cabeçalho – uma tabela com linhas em branco na frente e no verso, divididas em duas colunas: uma bem estreita, à esquerda, intitulada “Tempo”, e outra larga o suficiente para que em suas linhas se possa anotar a descrição/narração do que acontece na aula observada. Por esse motivo, essa coluna é intitulada “Descrição da aula do professor”.

O trabalho foi realizado no período noturno, com agendamento prévio combinado com os professores e seus alunos. A Pedagoga Doutoranda Dalvane Althaus e eu chegamos à sala cerca de cinco minutos antes do início das aulas a serem observadas. O objetivo foi verificar também um pouco do movimento gradual de chegada do professor e dos alunos, bem como de “acolhimento” de uns pelos outros. O objetivo foi também observar e identificar precisamente o modo como a aula é formalmente instaurada (ou iniciada) e levada adiante.

A partir daí, bem cientes de que a neutralidade absoluta é sempre impossível em qualquer trabalho de observação e registro escrito, buscamos anotar em nosso formulário o que se passou nas aulas de cinco em cinco minutos, indicando os minutos na coluna do “Tempo” e a descrição/narração das ações de aula, na coluna da “Descrição da aula do professor”. Nosso esforço foi de evitar registrar as ações de forma avaliativa ou crítica (em termos de “positivo” ou “negativo”, por exemplo), com o objetivo de não nos colocarmos como “especialistas externos” na atividade dos professores.

Em meu próximo post, falarei sobre como se deu nosso trabalho de auxílio aos professores na análise e problematização das aulas que observamos e registramos por escrito.

Como se deu o estabelecimento de uma parceria de trabalho com os alunos?

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Após a formação da primeira dupla de professores para tratamento clínico da atividade docente na UTFPR-PB, o quinto passo na implementação da Clínica da Atividade Docente nessa instituição foi o estabelecimento de uma parceria de trabalho com os alunos das turmas indicadas por esses professores. Eu e a Pedagoga Dalvane Althaus fomos a essas turmas, juntamente com os docentes, no horário das aulas, com a finalidade de lhes apresentar as linhas gerais do trabalho que pretendíamos realizar e os objetivos que tínhamos em vista.

Especialmente por se tratar de alunos de um curso superior, não houve entre eles menores de idade. Se tivesse havido, nos teria sido necessário estabelecer a parceria de trabalho também com seus pais ou responsáveis. Na ocasião da conversa com os discentes, os detalhes e os objetivos de implementação da Clínica da Atividade Docente lhes foram apresentados e eles decidiram por unanimidade que gostariam de participar e apoiar a iniciativa.

Pareceram-nos, na verdade, bastante “empolgados” com a novidade e, com isso, foi muito interessante notar como, a partir daquele momento, se desencadeou em todos eles um processo de auto-observação. De fato, com esta proposta, a introdução de um observador externo na sala de aula ou, até esse estágio do trabalho, a simples ideia de ter esse observador presente em sala de aula levou de imediato os professores e seus alunos a juntos se observarem com os olhos do(s) outro(s)! Isso, inevitavelmente, como pudemos constatar e como relatarei em breve, provocou uma mudança bastante produtiva do comportamento de ensino-aprendizagem em sala de aula.

Em meu próximo post, apresentarei o sexto passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB: a observação e o registro de aulas por escrito.

Como ocorreu a formação da primeira dupla de professores para tratamento clínico da atividade docente?

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A demanda dos professores na UTFPR-PB foi primeiramente levada bem a sério e sem trapaças. A partir daí, foi constituído um coletivo de trabalho docente com base na estrutura educacional existente no Câmpus Universitário. Em seguida, objetivando partir coletivamente para o enfrentamento da atividade concreta de sala de aula, o quarto passo na implementação da Clínica da Atividade Docente na instituição foi o de formação de duplas de professores voluntários para a filmagem de aulas no interior do coletivo.

A primeira dupla de professores foi formada no Departamento de Informática e todo o trabalho clínico subsequente foi também realizado nesse setor. Isso porque, dentre as chefias de todos os departamentos acadêmicos da instituição – que unanimemente fizeram sua adesão à implementação da Clínica da Atividade Docente – foram dois professores desse Departamento os primeiros a se voluntariar.

Obviamente, esse voluntariado não ocorreu de forma rápida e espontânea. Tendo em vista que os professores – com toda razão – frequentemente desconfiam de observadores externos em suas salas de aula, foi preciso antes apresentar-lhes muito clara e detalhadamente a proposta do trabalho a ser realizado e, além disso, esclarecer cada uma de suas dúvidas. Foi possível perceber que essa desconfiança estava relacionada à ampla experiência negativa que têm com a atitude típica dos “especialistas externos”: na verdade, não se sentem à vontade para ter em suas salas de aula pessoas que venham observá-los com o único objetivo de meramente apontar o que consideram ser seus “erros” para, em seguida, unilateralmente indicar formas nada realistas de “corrigi-los”, especialmente se isso for feito por meio de filmagens!

A principal dúvida ou insegurança dos professores em relação à participação deles na execução do trabalho se expressa surpreendentemente na seguinte pergunta: como é esse negócio de sermos nós mesmos os especialistas legítimos naquilo que fazemos?! É facil compreender bem essa dúvida ou insegurança se se levar em consideração que os docentes são cotidianamente “bombardeados” pela ideologia da “indústria dos especialistas externos”, segundo a qual – pelo fato de não saberem fazer bem seu trabalho – precisam que experts venham lhes dizer – fora da sala de aula! – em que estão “pecando” e o que devem fazer para se “redimirem” de seus “pecados”.

Uma vez superada a desconfiança, tiradas as dúvidas e eliminadas as inseguranças iniciais, parti com a dupla de professores do Departamento de Informática para o quinto passo na implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB: o estabelecimento de uma parceria de trabalho com os alunos. Esse será o assunto de meu próximo post.

Qual foi o trabalho concreto de sala de aula enfrentado com qual coletivo de professores?

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Depois de constituir na UTFPR-PB um coletivo maior de professores a partir da estrutura educacional existente, o terceiro passo na implementação da Clínica da Atividade Docente nessa instituição foi o enfrentamento do trabalho concreto de sala de aula com os coletivos menores. Empreguei para essa finalidade o método clínico da Autoconfrontação Simples e Cruzada. Os procedimentos foram os seguintes:

1) com a finalidade de filmar aulas, formei pelo menos uma dupla de professores voluntários no interior de cada um dos seguintes coletivos departamentais de trabalho docente: 1) Administração; 2) Agrimensura; 3) Ciências Agrárias; 4) Ciências Contábeis; 5) Ciências Humanas; 6) Construção Civil; 7) Elétrica; 8) Física; 9) Informática; 10) Letras; 11) Matemática; 12) Mecânica; e 13) Química. Neste Blog, empregarei como exemplo prático a totalidade do trabalho realizado com uma dupla de professores do Departamento de Informática; Para saber mais, clique aqui.

2) estabeleci uma parceria de trabalho com os alunos da dupla de professores do Departamento de Informática e – no caso dos discentes menores de idade – também com seus pais ou responsáveis; Para saber mais, clique aqui.

3) observei e registrei por escrito duas aulas de cada professor da dupla voluntária; Para saber mais, clique aqui.

4) auxiliei os professores da dupla voluntária na análise e na problematização das aulas observadas e registradas por escrito; Para saber mais, clique aqui.

5) filmei duas aulas de cada professor da dupla voluntária objetivando sua análise e a problematização; Para saber mais, clique aqui.

6) auxiliei os professores na análise e na problematização de trechos das aulas filmadas, empregando para isso sessões de Autoconfrontação Simples e Cruzada, as quais foram também gravadas audiovisualmente; Para saber mais, clique aqui.

7) produzi videodocumentários sobre o processo de análise e problematização de trechos das aulas filmadas, empregando para isso as gravações das sessões de Autoconfrontação Simples e Cruzada; Para saber mais, clique aqui.

6) compartilhei os videodocumentários com todo o coletivo de professores em reuniões pedagógicas conduzidas pelos próprios professores, com o auxílio dos Coordenadores Pedagógicos; Para saber mais, clique aqui.

7) auxiliei o coletivo de professores na análise e na problematização dos videodocumentários de modo que formulassem providências didático-pedagógicas a serem tomadas por eles mesmos e pelos gestores educacionais; Para saber mais, clique aqui.

8) registrei em atas uma síntese da análise e da problematização dos videodocumentários, bem como das providências didático-pedagógicas a serem tomadas; Para saber mais, clique aqui.

9) levei os resultados ao conhecimento dos gestores educacionais apoiadores da iniciativa por meio dos videodocumentários e das atas das reuniões pedagógicas; Para saber mais, clique aqui.

10) tomei as providências didático-pedagógicas necessárias com o apoio do coletivo de professores e dos gestores educacionais envolvidos; Para saber mais, clique aqui.

Detalharei, explicarei e discutirei em meus próximos posts cada um desses procedimentos de enfrentamento coletivo do trabalho concreto de sala de aula com o coletivo dos professores de Informática UTFPR-PB.

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