O professor não só como educador, mas também como trabalhador

por Anselmo Lima

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O professor não é apenas um educador, no sentido vygotskiano do termo. É também, ao mesmo tempo, um trabalhador. Por essa razão, não se pode pensar o trabalho educativo sem se levarem em conta as prescrições que estão em sua origem, pois as ações do professor consistem na organização e administração do meio social educativo (isto é, das condições de estudo dos alunos) a partir das prescrições que lhe são feitas. Trata-se de uma resposta do professor ao que dizem e ao que não dizem as prescrições. Semelhantemente, não se pode pensar a aprendizagem dos alunos e o modo como ela se dá sem se levar em conta essa organização e administração efetuadas pelo professor. A relação professor-aluno é, portanto, uma relação mediada pelas prescrições.

Mas quais seriam as prescrições do trabalho docente? Elas podem ser oficiais (geralmente escritas) ou oficiosas (geralmente não-escritas). As prescrições oficiais são mais ou menos as seguintes: a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Decretos, Resoluções, Parâmetros, Diretrizes, Projetos Políticos e/ou Didático-Pedagógicos, dentre outros. Podem se incluir nessa categoria as próprias autoprescrições docentes, tais como planos de curso, de ensino ou de aulas. As prescrições oficiosas, por sua vez, dizem respeito a todos os textos escritos ou não escritos que, apesar de não terem caráter oficial, também prescrevem o trabalho docente. É exemplo de prescrição oficiosa não-escrita a opinião pública sobre o que o professor deveria ou não deveria fazer e sobre como deveria ou não deveria fazer seu trabalho. Um exemplo de prescrição oficiosa escrita seriam as anotações pessoais do próprio professor sobre detalhes do trabalho de ensino-aprendizagem que vem realizando com os alunos.

Além disso, o docente normalmente realiza seu trabalho em um espaço previamente organizado: a escola. As turmas de alunos, certos tipos de tarefas, o tempo a ser dedicado, dentre outras coisas, não são definidos pelo professor, mas lhe são frequentemente impostos por uma organização. Desse modo, as situações de interação que o professor deverá organizar e administrar têm sua fonte, de um lado, em exigências organizacionais, as quais são dadas ao professor e por ele reorganizadas, e, de outro lado, em exigências provenientes do próprio desenrolar das situações de interação com os alunos.

No próximo post, vou discutir a distância que sempre existe entre o trabalho docente prescrito e o trabalho docente realizado. Por enquanto, fica a pergunta:

Professor, quais são as prescrições oficiais e oficiosas que você identifica em seu trabalho e com as quais precisa lidar cotidianamente? Você percebe que elas têm impactos sobre sua interação com os alunos em sala de aula? Caso afirmativo, quais seriam alguns exemplos desses impactos? Deixe um comentário.