Coletivo de trabalho e coleção de indivíduos nas escolas

por Anselmo Lima

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A partir da discussão realizada em meus dois posts anteriores sobre as quatro dimensões da profissão docente (ver impessoal, pessoal e interpessoal, transpessoal), é possível perceber a fundamental importância do coletivo de professores para cada professor individualmente e para toda a escola. O problema é que um verdadeiro coletivo de trabalho é coisa raríssima e difícil de encontrar, tendo em vista as condições frequentemente precárias em que se realiza o trabalho quotidianamente nas escolas. É mais comum que os trabalhadores da educação apenas coexistam e estejam simplesmente justapostos no tempo e no espaço, sem – entretanto – conseguirem desenvolver e explorar de fato o potencial do trabalho coletivo ou – para usar uma expressão talvez mais conhecida – do trabalho em equipe. Nesse caso, longe de se constituírem como coletivo de trabalho, acabam por formar mera coleção de indivíduos desarticulados.

Frequentemente se diz, com toda razão, que o trabalho docente – na maioria de seus aspectos, se não em todos – é um trabalho solitário, no qual muitas vezes o que vale é o “si por si, mas Deus para nenhum”.

É neste ponto que começo a entrar em cheio nas questões de saúde do professor: coleções de indivíduos docentes têm impactos negativos sobre a saúde do educador e sobre o exercício de sua profissão, enquanto é o desenvolvimento de verdadeiros coletivos de trabalho que promove a saúde docente e faz avançar o exercício da profissão. Entretanto, o processo de transformação de coleções de indivíduos em coletivos de trabalho é árduo e complexo, sendo uma das responsabilidades de programas de formação docente continuada que, para muito além da prática pedagógica, se preocupam também com a saúde do professor. Esse será o assunto que abordarei em meus próximos posts.

Professor, em sua escola, você atua em um verdadeiro coletivo de trabalho ou em uma mera coleção de indivíduos? Você percebe impactos positivos ou negativos dessa atuação sobre sua saúde e bem-estar dentro e fora da escola? Quais seriam esses impactos? Seu comentário é da maior importância! Registre-o abaixo.