Da coleção de indivíduos ao coletivo de trabalho docente: um desenvolvimento que é preciso garantir

por Anselmo Lima

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Um coletivo de trabalho não nasce pronto. É preciso primeiramente que diferentes trabalhadores sejam reunidos e permaneçam unidos em condições de vida em comum. Tal é o caso de professores que – por motivos diversos – foram conduzidos a atuar juntos em uma escola ou em um conjunto de escolas. Entretanto, a mera reunião, ou melhor, a pura e simples justaposição desses profissionais da educação para atuar em determinada ou determinadas instituições de ensino não faz deles um coletivo de trabalho. Em muitos sentidos, é possível dizer que eles antes iniciam suas atividades como coleção de indivíduos. É definitivamente o tipo de caminhada juntos que definirá se o grupo permanecerá como coleção de indivíduos ou se se desenvolverá gradativamente, com maior ou menor rapidez, em direção a se tornar um verdadeiro coletivo de trabalho e a permanecer como tal.

Neste ponto é preciso dizer que um adequado programa de formação continuada do professor pode e deve contribuir decisivamente para que coleções de indivíduos docentes se tornem, de modo gradual, um coletivo de professores que juntos se desenvolvem continuamente, promovendo – assim – tanto a melhoria da qualidade da educação quanto a saúde de cada professor que faz parte do grupo.

E um programa de formação continuada sério, que pretenda realmente ter a capacidade de fazer isso, não deve – de forma alguma – fechar os olhos e virar as costas para a precariedade das condições de trabalho dos professores, fazendo de conta que ela não existe. Um dos grandes obstáculos é, na maioria das vezes, o próprio modo criticável de contratação dos profissionais da educação. A depender do Estado do país, o professor pode ser, por exemplo, contratado por “Processo Seletivo Simplificado” (PSS – Paraná), “Admitido em Caráter Temporário” (ACT – Santa Catarina) ou mesmo se tornar “Ocupante de Função Atividade” (OFA – São Paulo). O resultado é, dentre outros, a alta rotatividade de professores nas escolas e isso ou inviabiliza totalmente ou dificulta muito e interrompe o processo de constituição de coletivos de trabalho docente, além de ser mais um elemento que faz mal à saúde dos profissionais por causa de incertezas e instabilidades de diversas ordens.

Professor, você é efetivo ou contratado? Em sua condição de trabalho, sente que faz parte de um grupo de docentes que a cada dia avança mais em direção a se tornar um verdadeiro coletivo de trabalho, apoiando uns aos outros ou – ao contrário – percebe que está em um grupo ou em grupos de professores que permanecem como coleções de indivíduos, muitas vezes se “maltratando” uns aos outros? Saiba que essas questões devem ser abordadas e tratadas, ainda que de forma indireta, nos programas de formação docente continuada dos quais você participa.