Formação continuada e saúde do professor: é preciso promovê-las em unidade

por Anselmo Lima

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Com base em todos os posts publicados no Blog até o momento, não restam dúvidas de que uma verdadeira formação continuada de professores consiste no apoio e na preparação constante desses profissionais para que possam enfrentar e superar coletivamente obstáculos e dificuldades de trabalho até então não enfrentados ou enfrentados e não superados. Na medida em que os docentes podem avançar nesse processo, tornam-se mais experientes e, com isso, conseguem solucionar cada vez mais problemas para os quais antes não encontravam solução. Isso promove a saúde dos educadores, pois dá vazão de forma contínua para sua energia psíquica, sem que ela se acumule e assim venha a lhes fazer mal. Os profissionais da educação então se realizam, ao invés de se desrealizarem.

Entretanto, na medida em que os docentes não conseguem ou, o que é mais frequente, são impedidos de avançar nesse processo, diversos problemas do trabalho de ensino-aprendizagem permanecem sem solução. E isso, além de comprometer a qualidade da educação, prejudica a saúde dos professores, pois não encontra vazão a energia psíquica que se acumula em função de obstáculos e dificuldades insuperáveis: os docentes, nesse caso, se desrealizam e, consequentemente, adoecem, sucumbindo debaixo de um real da atividade que se torna altamente tóxico. Verifica-se, nessa linha de raciocínio, que deve existir e deve ser mantida uma unidade da promoção da formação continuada e da promoção da saúde do professor nas escolas.

São, portanto, amplamente ineficientes e ineficazes todos os programas e ações tradicionais de formação docente continuada que fecham os olhos e viram as costas para os obstáculos e dificuldades reais e concretos que os professores enfrentam diariamente em sala de aula e também fora dela, no espaço maior de toda a escola. Além de amplamente ineficientes e ineficazes, esses programas e ações tradicionais contribuem para prejudicar ainda mais a saúde dos professores, pois muitas vezes não faz nenhum sentido para eles a saída das condições precárias em que realizam seu trabalho para serem reunidos todos em uma sala qualquer da instituição ou mesmo em um grande anfiteatro, no qual são com frequência obrigados a escutar por horas um especialista externo, que invariavelmente fala sobre uma atividade docente cujos obstáculos e dificuldades locais desconhece quase por completo.

Programas de formação docente continuada realmente comprometidos tanto com o desenvolvimento profissional quanto com a promoção da saúde do professor devem ir com os docentes para a sala de aula, respeitando-os como especialistas em sua própria atividade, a fim de nela identificar junto com eles os obstáculos e dificuldades enfrentados no dia a dia. Depois disso, devem atuar junto com eles, ombro a ombro, dentro e fora da sala de aula, na superação e na resolução dos problemas encontrados. Cabe às instituições implementar e apoiar programas dessa natureza.

Professor, você conta em sua escola com o auxílio de um programa de formação docente continuada que vá com você para a sala de aula e que, respeitando-o como especialista em sua própria atividade, procure identificar em parceria obstáculos e dificuldades que você enfrenta cotidianamente a fim de atuar com você na tentativa de superá-los? Nunca é demais repetir: é seu desenvolvimento profissional e sua saúde que estão em jogo. Exija providências de sua instituição antes de ter de recorrer a um hospital e/ou a um afastamento do trabalho.