O que caberia aos docentes quando o assunto é sua formação continuada e sua saúde?

por Anselmo Lima

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O exercício da profissão docente tem sido extremamente solitário. Perto do horário de início das aulas, por exemplo, é comum que cada professor – individualmente – se dirija para sua sala, onde sozinho encontra seus alunos e onde sozinho enfrenta todos os obstáculos e dificuldades do trabalho de ensino-aprendizagem. Isso tem sido assim há muitos anos e, por essa razão, com muita frequência, é difícil que um professor não se sinta ao menos um pouco incomodado quando eventualmente tem consigo, em sala de aula, a presença de outro colega professor. Trata-se da cultura do individualismo, típica das coleções de indivíduos: de meus problemas cuido eu; dos problemas dele, que cuide ele! Si por si e Deus para nenhum!

Mas, contrariamente a essa tendência, quando o assunto é a promoção efetiva tanto da formação continuada quanto da saúde do professor nas escolas, o necessário é que os profissionais da educação estejam abertos para compartilhar entre si suas práticas concretas de ensino-aprendizagem sem temer críticas. Se um colega de trabalho, ao mesmo tempo em que se solidariza com o outro, não puder lhe dizer, por exemplo, a respeito de certa prática: “Isto não está bom!”, então os dois e todos os outros não poderão ser responsáveis juntos, no coletivo, pelo trabalho que fazem.

É óbvio que uma crítica como essa nunca pode ser feita de forma irresponsável. Se indico a meu colega de profissão aquilo que julgo talvez ser uma “falha” no modo como tem realizado o trabalho, devo estar pronto para assumir com ele a responsabilidade, para lhe dar explicações, seguidas de uma excelente sugestão de como fazer aquele trabalho de uma outra forma, ou mesmo para admitir que aquela crítica também é válida em relação a meu próprio trabalho, pois diz respeito a um obstáculo ou a uma dificuldade que eu mesmo ainda não consegui superar. Em todos os casos, trabalharemos juntos na resolução do problema em comum e poderemos convidar outros colegas a se juntarem a nós.

O importante é que os professores, como especialistas em sua própria atividade, assumam juntos, no coletivo, sua parcela de responsabilidade pelo trabalho educacional, mesmo que ele se faça inevitavelmente de forma individual. É preciso lembrar, nesse sentido, que é comum que um professor mais experiente tenha encontrado soluções para um problema com o qual seu colega menos experiente ainda sofre. A troca de experiências nesse caso é fundamental. E isso não quer dizer de forma alguma que professores menos experientes não tenham nada a compartilhar com os mais experientes. Talvez tenham até mais!

Professor, há quanto tempo você leciona? Nesse tempo de experiência, quantas vezes convidou seu colega de trabalho para estar com você em sala de aula? Caso nunca (ou quase nunca) tenha feito isso, que tal sair do isolamento e da solidão, aproximando-se de um colega e convidando-o a fazer isso? Proponha a ele uma troca de experiências. A construção de um verdadeiro coletivo de trabalho docente começa também por aí! Em meu próximo post, falarei um pouco sobre o que caberia aos gestores educacionais.