Os alunos como parceiros na promoção da formação continuada e da saúde do professor

por Anselmo Lima

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“Não há docência sem discência”, diz Paulo Freire com toda razão e acerto em sua “Pedagogia da Autonomia”. É que o professor, como alguém que faz do ensino uma profissão, não é e não pode ser realmente professor sem aqueles a quem ensina, sem seus alunos: “quem ensina ensina alguma coisa a alguém”, diz novamente Paulo Freire na mesma obra, não com menos razão e acerto. Portanto, quando o assunto é a promoção da formação continuada e da saúde do professor no trabalho, com foco especial na atividade de ensino-aprendizagem em sala de aula, os alunos devem ser constituídos e vistos como parceiros.

É por esse motivo que, tendo em vista o emprego do método da Autoconfrontação Simples e Cruzada, depois de formar duplas de professores no interior do coletivo de trabalho, o quinto passo na implementação de uma Clínica da Atividade Docente nas escolas é justamente o estabelecimento de uma parceria de trabalho com os próprios alunos de turmas indicadas pelos professores. Para isso, é preciso que os Coordenadores Pedagógicos vão a essas turmas, juntamente com os docentes, com a finalidade de lhes apresentar – ainda que em linhas gerais – o trabalho que se pretende realizar, bem como seus objetivos.

Isso se faz necessário também porque a iniciativa envolve a filmagem de aulas e os professores voluntários certamente não serão os únicos a aparecer nas imagens! Isso se faz ainda mais necessário no caso de alunos menores de idade, pois, nesse caso, além de uma parceria estabelecida com eles, será necessário que se estabeleça uma parceria da mesma natureza com seus pais ou responsáveis. Se a instituição de ensino não dispuser de autorizações prévias para a filmagem de aulas, essa parceria poderá se fazer por meio de documentos preparados pela escola e encaminhados aos pais ou responsáveis para ciência e assinatura. Uma outra possibilidade é tratar desse assunto em momentos de reunião de pais na escola. O importante é que, para além dos alunos, a parceria de trabalho na promoção da formação continuada e da saúde do professor se estabeleça também com os pais ou responsáveis, especialmente pelos alunos menores de idade.

Finalmente, é importante ressaltar que – após as gravações – as imagens podem ser usadas também para o desenvolvimento escolar das próprias turmas de alunos, que poderiam observá-las com o objetivo de pensar e discutir entre si, com o auxílio e orientação da Coordenação Pedagógica ou dos próprios professores, de que forma poderiam aproveitar melhor as aulas. Abre-se aqui todo um universo de possibilidades de enfrentamento especial inclusive de questões de indisciplina na escola, as quais têm com muita frequência sérios impactos sobre a saúde docente!

Professor, o que acha da proposta de ter seus alunos (e, se for o caso, também seus pais ou responsáveis) como parceiros na promoção de sua formação continuada e de sua saúde nas escolas? Quais dificuldades você prevê? Como poderiam ser superadas? Quais poderiam ser os ganhos desse esforço coletivo?