Auxiliar os professores na análise e problematização de aulas observadas e registradas por escrito

por Anselmo Lima

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Logo depois de observar e registrar por escrito uma ou duas aulas de cada professor de uma dupla de docentes voluntários no interior de um coletivo de trabalho, chega o momento em que os Coordenadores Pedagógicos – como Clínicos-Formadores ou Formadores-Clínicos – vão auxiliar os professores na análise e problematização de suas aulas. Este é o sexto passo na implementação de uma Clínica da Atividade Docente nas escolas, com o objetivo de promover tanto a formação continuada quanto a saúde do professor.

Considerando-se uma dupla de professores “A” e “B”, é preciso agendar com cada um deles uma sessão individual na qual tomarão conhecimento em separado do registro escrito de suas aulas observadas. Aqui o objetivo principal é ouvir o professor, muito mais do que falar no lugar dele! Em função da ansiedade, que normalmente decorre da experiência de se observar a si mesmo ao ser observado, é comum que o docente esteja desejoso de se expressar logo no início da sessão. Como resultado, mal encontra os Coordenadores Pedagógicos, já começa a expressar seus pontos de vista sobre as aulas.

Os Coordenadores Pedagógicos devem ouvir cada professor atentamente e tomar notas. Pode também acontecer de o professor comparecer à sessão sem necessariamente ter o desejo de se expressar logo de imediato. Nesse caso, é recomendável que se façam as seguintes perguntas ao docente: como foi para você a experiência de ser observado em sua aula? Há alguma coisa que você gostaria de compartilhar conosco nesse sentido? Etc. Se o professor começar a dialogar como resultado dessas questões, os Coordenadores Pedagógicos devem ouvi-lo até o fim e tomar notas. Se o professor preferir ouvir ao invés de falar, os Coordenadores Pedagógicos devem lhe propor o seguinte: “vamos ler para você os registros que fizemos de sua aula. Conforme fizermos isso, você pode ficar muito à vontade para comentar nossas anotações como desejar”. É importante ressaltar que a leitura dos registros seria feita de qualquer forma, mesmo que a sessão se iniciasse com a fala do professor.

O objetivo desse procedimento é realmente auxiliar cada docente na análise e na problematização de suas aulas, o que resulta na identificação de obstáculos e dificuldades muitas vezes insuspeitos no trabalho docente de sala de aula. Não é comum que o professor não se pronuncie ou não se posicione sobre seu trabalho ao participar desse processo. Entretanto, se isso acontecer, esse será o momento em que os Coordenadores Pedagógicos poderão submeter seus pontos de vista especializados à apreciação do professor, com vistas a fomentar o diálogo. O mais importante nesse momento é tomar todos os cuidados para não se dirigirem ao professor como especialistas externos em sua atividade. Tomado esse cuidado em todo o tempo, o diálogo pode assumir as mais variadas formas, que dependerão das circunstâncias da sessão. Todo o trabalho com os professores da dupla se desenvolverá na sequência a partir do resultado das sessões de análise e problematização das aulas observadas e registradas por escrito.

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