Como ocorreu a análise e problematização das aulas observadas e registradas por escrito?

por Anselmo Lima

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Depois de observar e registrar por escrito as aulas da dupla de professores voluntários do Departamento de Informática, o sétimo passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB foi o de auxílio a esses profissionais na análise e problematização de suas aulas observadas e anotadas. Para maiores detalhes sobre os procedimentos de execução desse trabalho, clique aqui.

Como venho enfatizando em diferentes posts do Blog, muito dificilmente um professor fica indiferente a si mesmo, a seus alunos e a seu trabalho quando é observado nas condições propostas pela perspectiva da Clínica da Atividade Docente. O que de fato ocorreu com a dupla de professores de informática foi que, ao serem observados e verem suas aulas sendo registradas por escrito, eles – como especialistas em suas próprias atividades – se observaram criticamente a si mesmos. Como as aulas em questão ocorreram no Laboratório de Informática da instituição, no qual os trabalhos de ensino-aprendizagem são realizados pelos docentes e discentes por meio do uso sistemático e prolongado do computador, revelaram-se rapidamente as preocupações centrais de ambos os professores: será que os alunos realmente estavam e permaneciam envolvidos com as aulas? Será que de fato acompanhavam e executavam as orientações dos professores sem, por exemplo, se desviarem e se perderem em redes sociais e outros sites do gênero?

Com efeito, nossas observações e anotações revelaram, no caso das aulas de um dos professores da dupla, uma relativa e ligeira “indisciplina” ou “dispersão” dos alunos, a qual se materializava na forma de algo como certa agitação e/ou movimentação discente. No caso das aulas do outro professor da dupla, o que chamou muito a atenção foi o contrário: o fato de esses mesmos alunos parecerem completamente absorvidos e envolvidos com a aula e com as atividades que vinham sendo desenvolvidas.

Essas constatações, feitas pelos próprios professores ao se observarem a si mesmos a partir de nossa presença em sala de aula, serviram para orientar o olhar para essa problemática no oitavo passo de implementação da Clínica da Atividade Docente na UTFPR-PB: o de filmagem propriamente dita das aulas dos docentes. É sobre isso que falarei em meu próximo post. Como ficará claro na sequência dos demais posts, o que se constatou nada tem a ver com “domínio” ou “falta de domínio” de sala pelos professores…