CLÍNICA DA ATIVIDADE DOCENTE

Como cuidar da formação continuada e da saúde do professor nas escolas: introdução, teoria, prática e exemplo

Categoria: EXEMPLO

Como se deu o registro em ata da análise e problematização dos videodocumentários

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Como era previsto, o primeiro e o segundo videodocumentário funcionou realmente, em si e por si, como uma espécie de ata dos trabalhos até então realizados com a dupla de professores. Esses videodocumentários se constituíram, além disso e ao mesmo tempo, inclusive como um tipo de pauta da reunião pedagógica que seria realizada, pois – como se pôde constatar – permitiram a objetivação inequívoca de pelo menos um problema ou dificuldade geral de sala de aula a ser abordado coletivamente pelos professores.

A primeira parte da ata escrita da reunião pedagógica trouxe, portanto, em seu primeiro parágrafo, um resumo compacto dos videodocumentários e especificou de modo breve aquilo que ocorria nos trechos de aula e também aquilo que a dupla de professores falou a respeito deles nas sessões de autoconfrontação simples e cruzada. Por exemplo, como disse o professor “A”: “a mesa onde fica o computador do professor é baixa”!

Como os professores do coletivo retomaram e discutiram os trechos de aula e a palavra da dupla de professores a respeito deles, foram breve e claramente registrados na segunda parte da ata os posicionamentos que se manifestaram, com especial atenção para o que se sugeria fazer para resolução do problema. Ficou definido que caberia ao Departamento de Educação, sob minha responsabilidade naquele momento, tomar as providências necessárias em parceria com os professores. Que providências seriam essas? Obviamente as de uma mesa adequada para uso nos laboratórios de informática!

Em meu próximo post, falarei sobre como os resultados da prática da Clínica da Atividade Docente na UTFPR foram levados ao conhecimento dos Gestores Educacionais de posição mais elevada na estrutura hierárquica. Até breve!

Como os professores foram auxiliados na análise e problematização dos videodocumentários?

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O objetivo foi ajudar os docentes a formular providências didático-pedagógicas a serem tomadas por eles mesmos e/ou pelos gestores educacionais. Seguindo de perto os procedimentos que recomendei em um post anterior, assim que a reunião pedagógica começou, expliquei aos colegas professores que nossa meta era que eles mesmos, trabalhando em conjunto, fizessem a análise e tirassem conclusões sobre os trechos de sala de sala de aula colocados em pauta no primeiro e no segundo videodocumentário.

Enfatizei que o centro dos diálogos não eram necessariamente conteúdos específicos das disciplinas ministradas nas aulas, mas as próprias práticas pedagógicas, devendo estas sim ser discutidas. O objetivo foi esclarecer para os docentes que, apesar de estarem – como é frequentemente o caso – separados e isolados uns dos outros por diferentes disciplinas e conteúdos, existem elementos que podem, devem e precisam produzir entre eles uma maior união e agregação: todos são professores e a maior parte das dificuldades e obstáculos que enfrentam em sala de aula são partilhadas por todos ao ministrarem qualquer disciplina e/ou conteúdo.

Tendo sido essa a abordagem em nossa reunião pedagógica, ao serem apresentados os videodocumentários, os professores inevitavelmente se reconheceram nas dificuldades e obstáculos enfrentados uns pelos outros e perceberam que – como verdadeiros especialistas que são naquilo que fazem – muito puderam dizer, compartilhar e discutir sobre elas. Assim, ao se conduzir a reunião sempre respeitando os professores como aqueles que realmente sabem do que estão falando, foi possível auxiliá-los na identificação e na descrição detalhada do problema ou dificuldade de sala de aula, comum para todos: quem poderia suspeitar que tantos impactos negativos para a qualidade do trabalho de ensino-aprendizagem e para a saúde dos professores poderiam ter origem no tipo inadequado de mesa colocada à disposição na sala de aula?

Em meu próximo post, falarei sobre como se deu o registro em ata de uma síntese da análise e da problematização dos videodocumentários na reunião pedagógica. Aguarde!

Qual foi o trabalho concreto de sala de aula enfrentado com qual coletivo de professores?

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Depois de constituir na UTFPR-PB um coletivo maior de professores a partir da estrutura educacional existente, o terceiro passo na implementação da Clínica da Atividade Docente nessa instituição foi o enfrentamento do trabalho concreto de sala de aula com os coletivos menores. Empreguei para essa finalidade o método clínico da Autoconfrontação Simples e Cruzada. Os procedimentos foram os seguintes:

1) com a finalidade de filmar aulas, formei pelo menos uma dupla de professores voluntários no interior de cada um dos seguintes coletivos departamentais de trabalho docente: 1) Administração; 2) Agrimensura; 3) Ciências Agrárias; 4) Ciências Contábeis; 5) Ciências Humanas; 6) Construção Civil; 7) Elétrica; 8) Física; 9) Informática; 10) Letras; 11) Matemática; 12) Mecânica; e 13) Química. Neste Blog, empregarei como exemplo prático a totalidade do trabalho realizado com uma dupla de professores do Departamento de Informática; Para saber mais, clique aqui.

2) estabeleci uma parceria de trabalho com os alunos da dupla de professores do Departamento de Informática e – no caso dos discentes menores de idade – também com seus pais ou responsáveis; Para saber mais, clique aqui.

3) observei e registrei por escrito duas aulas de cada professor da dupla voluntária; Para saber mais, clique aqui.

4) auxiliei os professores da dupla voluntária na análise e na problematização das aulas observadas e registradas por escrito; Para saber mais, clique aqui.

5) filmei duas aulas de cada professor da dupla voluntária objetivando sua análise e a problematização; Para saber mais, clique aqui.

6) auxiliei os professores na análise e na problematização de trechos das aulas filmadas, empregando para isso sessões de Autoconfrontação Simples e Cruzada, as quais foram também gravadas audiovisualmente; Para saber mais, clique aqui.

7) produzi videodocumentários sobre o processo de análise e problematização de trechos das aulas filmadas, empregando para isso as gravações das sessões de Autoconfrontação Simples e Cruzada; Para saber mais, clique aqui.

6) compartilhei os videodocumentários com todo o coletivo de professores em reuniões pedagógicas conduzidas pelos próprios professores, com o auxílio dos Coordenadores Pedagógicos; Para saber mais, clique aqui.

7) auxiliei o coletivo de professores na análise e na problematização dos videodocumentários de modo que formulassem providências didático-pedagógicas a serem tomadas por eles mesmos e pelos gestores educacionais; Para saber mais, clique aqui.

8) registrei em atas uma síntese da análise e da problematização dos videodocumentários, bem como das providências didático-pedagógicas a serem tomadas; Para saber mais, clique aqui.

9) levei os resultados ao conhecimento dos gestores educacionais apoiadores da iniciativa por meio dos videodocumentários e das atas das reuniões pedagógicas; Para saber mais, clique aqui.

10) tomei as providências didático-pedagógicas necessárias com o apoio do coletivo de professores e dos gestores educacionais envolvidos; Para saber mais, clique aqui.

Detalharei, explicarei e discutirei em meus próximos posts cada um desses procedimentos de enfrentamento coletivo do trabalho concreto de sala de aula com o coletivo dos professores de Informática UTFPR-PB.

Que coletivo de professores foi constituído e qual foi a estrutura educacional envolvida?

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Meu segundo passo na implementação da Clínica da Atividade Docente no Câmpus Pato Branco da UTFPR foi a constituição de um coletivo de professores a partir da estrutura educacional existente na instituição. O Câmpus está organizado da seguinte forma: Diretoria Geral e Diretorias de Gestão, dentre as quais está a Diretoria de Graduação e Educação Profissional. A esta última estão vinculados os seguintes Departamentos Acadêmicos: 1) Administração; 2) Agrimensura; 3) Ciências Agrárias; 4) Ciências Contábeis; 5) Ciências Humanas; 6) Construção Civil; 7) Elétrica; 8) Física; 9) Informática; 10) Letras; 11) Matemática; 12) Mecânica; e 13) Química.

Conforme esclarece o site da instituição, esses “Departamentos Acadêmicos são setores que administram pessoas, infraestrutura acadêmica e congregam docentes de disciplinas, áreas e habilitações afins, objetivando o desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão”. O conjunto de todos os professores alocados nesses Departamentos (aproximadamente 300) foi constituído como coletivo maior de trabalho na implementação da Clínica da Atividade Docente, enquanto os conjuntos dos professores de cada Departamento foram constituídos como coletivos menores de trabalho.

É sempre importante lembrar que não se deve, entretanto, confundir coletivo de professores com coleções de indivíduos. O que espontânea e normalmente existe nas instituições de ensino são as coleções de indivíduos docentes. Sendo esse também o caso na UTFPR-PB, foi a partir das “coleções de indivíduos” dos referidos Departamentos que se constituiu o coletivo maior de professores. Isso foi feito inicialmente em reuniões pedagógicas específicas com os docentes de cada Departamento, apresentando-se a eles, detalhadamente, a proposta de trabalho. Essas reuniões tiveram a Clínica da Atividade Docente como item de pauta exclusivo.

O número de professores voluntários por Departamento Acadêmico foi o seguinte: Administração: 03 docentes; Agrimensura: 02 docentes; Ciências Agrárias: 03 docentes; Ciências Contábeis: 04 docentes; Ciências Humanas: 03 docentes; Construção Civil: 02 docentes; Elétrica: 04 docentes; Física: 04 docentes; Informática: 04 docentes; Letras: 09 docentes; Matemática: 04 docentes; Mecânica: 08 docentes; Química: 05 docentes; Total: 54 docentes. Em meu próximo post, apresentarei o terceiro passo da implementação da Clínica da Atividade na UTFPR-PB: que trabalho concreto de sala de aula foi enfrentado com qual coletivo de professores?

Qual foi a demanda dos professores e com qual realidade educacional não se deveria trapacear?

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Da creche à pós-graduação, o problema é sempre o mesmo e a demanda é sempre a mesma. Os professores são tratados como se não fossem especialistas naquilo que fazem. E os gestores, acreditando que eles de fato não o são, entendem ser necessário contratar “especialistas” externos para lhes dar palestras, cursos, workshops, treinamentos, etc. Mas os docentes, com toda razão, não se reconhecem naquilo que os “especialistas” externos lhes dizem e, uma vez encerradas as famigeradas “semanas pedagógicas” e outros momentos desse gênero, têm de retornar a uma realidade de trabalho cuja precariedade os impede amplamente de desempenhar suas atividades profissionais a contento.

Quando assumi o Departamento de Educação entre os anos de 2010 e 2012, a situação institucional não era muito diferente dessa. A demanda formal dos professores, entretanto, era muito clara: desejavam apoio concreto e prático na resolução efetiva de problemas didático-pedagógicos da e na sala de aula. Já não podiam mais ouvir o mesmo blá-blá-blá de “especialistas” externos que sempre ouviam e que passava sempre muito, mas muito longe de suas reais preocupações de ensino-aprendizagem.

Nessa época, assim como em todas as épocas e na atualidade, a situação e a demanda dos professores constituía sem dúvida uma realidade educacional com a qual não se podia e não se deveria trapacear. E esse foi meu compromisso, mesmo que o “prazo” de dois anos para “resolver” o problema à frente do Departamento fosse mais que insuficiente… Atender à demanda de aproximadamente 300 professores, com seus quase 4.000 alunos, era o desafio que eu tinha pela frente. Ciente de que não existem soluções fáceis e rápidas para problemas difíceis, a proposta de implementação da Clínica da Atividade Docente no Câmpus foi a estratégia que usei para enfrentá-lo. Em meu próximo post, compartilharei o modo como constituí e organizei o coletivo de professores para essa finalidade e qual foi a estrutura educacional envolvida.

Clínica da Atividade Docente na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR

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Foi quando assumi a Chefia do Departamento de Educação (DEPED) do Câmpus Pato Branco da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, cargo em que permaneci de setembro de 2010 a setembro de 2012, que tive a oportunidade de implementar a proposta da Clínica da Atividade Docente em uma importante e renomada instituição de ensino.

Compartilharei com o público leitor, neste e nos próximos posts, os detalhes dessa experiência prática de implementação de cuidados especiais com a formação continuada e com a saúde de um coletivo de aproximadamente 300 docentes, com os quais trabalhei por dois anos, enquanto estive à frente do Departamento de Educação, e com os quais segui trabalhando por três anos adicionais, de 2013 a 2015, enquanto procurei garantir que o trabalho fosse levado adiante e tivesse o tempo necessário para amadurecer, revelar e confirmar sua eficiência e eficácia.

Obviamente, não trabalhei sozinho nessa iniciativa. Contei com o apoio de uma equipe de profissionais, dos quais vale destacar desde já a parceria constante e competente da Pedagoga Doutoranda Dalvane Althaus e de minhas orientandas do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência), do PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), do Mestrado em Letras (PPGL), bem como do Mestrado em Desenvolvimento Regional (PPGDR).

Os posts do Blog foram organizados até o momento em três partes: 1) apresentação do problema da formação continuada e da saúde do professor em instituições de ensino; 2) apresentação de uma fundamentação teórico-metodológica para compreensão e enfrentamento desse problema; e 3) apresentação da Clínica da Atividade Docente, em seu passo a passo de implementação, como proposta definitiva de enfrentamento e superação do problema. Este é, portanto, o post que inaugura a quarta e última parte do blog: 4) apresentação de um exemplo de implementação bem-sucedida da Clínica da Atividade Docente em uma instituição pública de ensino.

Minha próxima publicação começará pelo primeiro passo de trabalho: explicarei como parti da efetiva demanda dos professores sem trapacear com a realidade da educação. Até breve!

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